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Filho de médica já havia sido intoxicado por remédio antes, revela paiSegundo ele contou na delegacia, garoto de 3 anos foi internado na UTI em janeiro, após tomar medicamentos da mãe

28 JUN 2018
28 de Junho de 2018
A principal linha de investigação do caso em que a médica Juliana Pina de Araújo, 34 anos, é suspeita de matar o filho de 3 anos, e, logo após, tentar tirar a própria vida é de homicídio duplamente qualificado (por envenenamento e sem dar chance de defesa à vítima) seguido de tentativa de suicídio. “Principalmente porque a mãe não teria procurado socorrer a criança”, disse o delegado adjunto da 1ª DP (Asa Sul), João de Ataliba Nogueira, em coletiva na tarde desta quinta (28/6). A hipótese de negligência não é considerada pelo policial.

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Os investigadores já ouviram algumas pessoas. Entre elas, o pai do menino. Ele contou que o garoto foi internado com suspeita de intoxicação em janeiro deste ano, após ingerir medicamentos da mãe. O homem só ficou sabendo em maio, quatro meses depois.
A criança chegou a ser internada na UTI do Hospital Santa Helena, na Asa Norte, conforme relatou o pai. A mãe não teria contado nada ao ex sobre o ocorrido. O homem disse ter pedido à unidade de saúde cópia do procedimento médico para apresentar na 1ª DP – responsável pelo caso. “Esse episódio leva a crer que se trata de uma reincidência”, ressaltou o delegado. Segundo alegação de Juliana, à época, o filho havia ingerido os remédios por um descuido dela.

O pai afirmou ter conhecimento a respeito do problema de depressão enfrentado por Juliana. De acordo com ele, isso teria causado o fim do relacionamento dos dois, por vontade dela, em 2016. Em uma das conversas do casal, a médica teria dito que iria “engolir um bisturi” para tirar a própria vida.

Ainda na delegacia, o homem disse ter sido acusado pela médica de abusar sexualmente do filho, mas que foi inocentado pela Justiça. Em função desse fato, ele se afastou do convívio com o menino. Conforme relato do pai do garoto, Juliana era uma mãe dedicada.

De acordo com informações repassadas por testemunhas à polícia, na tarde dessa quarta-feira (27), a médica da rede pública de saúde desceu do Bloco J da 210 Sul, onde morava com o filho, e disse ao porteiro que havia matado o filho de 3 anos e cortado o próprio pescoço. Juliana sobreviveu. O menino, não.

O garoto foi encontrado desacordado em cima da cama, sem nenhum sinal de violência no corpo. Ambos chegaram a ser levados ao Hospital Materno-Infantil da Asa Sul (Hmib), mas a criança não resistiu.

No lixo e dentro da bolsa da mulher, os policiais encontraram uma cartela de ritalina e duas de frontal – remédios controlados. “Também havia uma mamadeira [ao lado da cama] praticamente cheia, mas não foi possível identificar vestígios dos remédios dentro. Isso só após o laudo, que deve sair em, pelo menos, 30 dias”, disse o delegado João de Ataliba Nogueira (foto em destaque).

A polícia confirmou que Juliana tinha um quadro de depressão diagnosticado desde 2016 e já chegou a ficar afastada do trabalho por alguns períodos para realizar o tratamento. A médica foi presa em flagrante pelo crime de homicídio duplamente qualificado. Se condenada, pode pegar entre 12 e 30 anos de prisão.

Em audiência de custódia nesta quinta-feira (28), a juíza Lorena Alves Campos decidiu converter em preventiva a prisão em flagrante de Juliana. A servidora está internada no Instituto Hospital de Base (IHB).

“As circunstâncias, sobretudo o fato de ter matado seu próprio filho de 3 anos, bem como o modo como realizou a conduta (supostamente colocando remédio/veneno na mamadeira da criança), demonstra a necessidade da prisão. Tais circunstâncias confirmadas pelas testemunhas extrapolam enormemente a gravidade ínsita ao tipo de homicídio”, anotou a magistrada em sua decisão.

A tragédia ocorreu por volta das 17h40 dessa quarta-feira (27), na 210 Sul, no quarto andar do Bloco J.
FONTE: METRÓPOLES ( BRUNO MEDEIROS).
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